sábado, 22 de agosto de 2009

Lançamento - Poemas de Mil Compassos

A discriminação exercida pelas grandes editoras, grandes autores e grande parte da mídia nacional, em relação aos pequenos autores/escritores, prejudica a produção literária, o surgimento de novos valores e a cultura de modo geral. Cria-se uma “panela” onde os pequenos são deixados de lado. Muitos sucumbem ante o embate cruel, e enterram seus talentos nas gavetas (HDs) para sempre. Mas como existem exceções a todas as regras, aqui e ali surge uma alma bondosa, que consegue enxergar o outro lado da história e estende a mão aos que são relegados ao descaso.

Uma dessas almas bondosas, é um jovem baiano “arretado”, professor, escritor, poeta e jornalista que trás no sangue não só um talento impar, mais também um indiscutível e refinado gosto pela literatura, além de uma visão que o faz enxergar nos mais remotos confins desse país continente, brotarem sementes que podem em algum momento oferecer frutos saborosos à literatura nacional. Esse cidadão que atende pelo nome de Elenilson Nascimento, mais uma vez estende a mão a novos talentos e os tornam visíveis aos olhos da mídia discriminatória. Agora, lança o livro “POEMAS DE MIL COMPASSOS”, que é um apanhado poético garimpado com esmero e dedicação.

“POEMAS DE MIL COMPASSOS” tem 315 páginas, onde 51 poetas, entre eles eu, desengavetam suas poesias e oferecem aos leitores não só palavras agrupadas em versos, mais sim, palavras carregadas de sentimentos. São suas dores, suas desilusões, suas solidões, seus gritos e silêncios, suas indignações. São poesias que encherão de beleza, amor, paz e graciosidade os corações dos leitores. Fruto de um trabalho árduo e coletivo, esse livro vem juntar-se a outros tantos que são produzidos de forma corajosa, por pessoas como o Sr. Elenilson que mesmo sem recursos financeiros, e sequer nenhum apoio de qualquer programa paternalista governamental, segue estendendo a mão a literatura e tentando a todo custo erguê-la, com o objetivo primordial de produzir cultura, porque entende que é com educação que se faz a verdadeira revolução capaz de combater o imperialismo dos grandes que não conseguem ver nada mais além do que sua empáfia, em detrimento de um povo carente de educação e que necessita não se deter no mundo dos grandes conglomerados editoriais, nem dos já afamados escritores, mas sim, descobrir novos horizontes literários e fugir da imposição covarde das editoras e da mídia de modo geral.

O nosso livro pode ser comprado diretamente com a editora (clique aqui).

Oxalá, seja esse livro consiga superar as nossas expectativas de venda e seja apenas mais um, de uma série infindável, para que em nossas gavetas permaneçam apenas as traças (vírus nos HDs), e que possamos contribuir para que a poesia possa se massificar e contaminar a todos, assim, o processo de revolução pela educação terá percorrido um caminho sem volta e nossa nação haverá se transformado numa grande nação de fato.

Antes de terminar, gostaria de parabenizar a todos os poetas que passaram por essa rigorosa seletiva, são talentos e merecem essa mão.

Oro para que apareçam no nosso querido Brasil, pessoas como o Sr. Elenilson, e torço para que ele continue com esse firme propósito de elevar a literatura ao patamar que merece, e tendo sempre essa visão de mecenas.


sábado, 13 de dezembro de 2008

"Canto da liberdade"

Canta o pássaro urbano
Detido entre grades humanas
Cala a natureza
Presa entre vontades insanas
Mas ainda assim voará a liberdade
Alheia ás grades de mentes mundanas

segunda-feira, 21 de abril de 2008

"Pretexto"

Há de beijar-me eu sei
O beijo que sempre sonhei
Desses teus lábios receber
E nesse beijo
Que tanto desejo
E que faz-me tanto querer
Hei de sugar o amor
Que salivas com ardor
Nessa boca de prazer

Anda, sacia-me com paixão
Ou desfaz de vez essa ilusão
Dizendo-me jamais
Mas creia, que se me sacias
Esse bendito desejo
Não quererei apenas um beijo
Porque ele é apenas pretexto
Para querer-te muito mais


Varley Farias Rodrigues

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

“Minha confissão”

Eu fumei e bebi mais que Bukowsky
Nas infinitas madrugadas de solidão
Querendo criar coragem para dizer
Aquelas palavras difíceis
Hoje, cheio de vícios
Só o travesseiro me ouve as confissões
E aquele poema de amor
Está enterrado numa gaveta qualquer

sábado, 21 de julho de 2007

“Ama-me”

Beija-me antes que o amanhã seja tardio
E entardeça em nós a flor dos anos
E nossas lágrimas se tornem orvalho
Num pranto noturno de infinitos desenganos

Abraça-me antes que o dia nos sufoque
E o retoque do tempo nos rasgue ainda mais as faces cansadas
E em teus braços deixa-me provar o néctar
Do teu corpo que te faz ainda mais tão desejada

Ama-me com toda a luxuria e o viço do teu ser na flor da idade
Idade dos anos que te moldaram com tanta perfeição
Vinho tinto a me embriagar
A alma carente e o corpo embebido de paixão

E quando nossos corpos recobrarem as forças
Depois da bendita batalha de se dar na nossa cama
Repete tudo, tudo com ainda mais ardor
Provando o teu amor, murmurando que me ama


Varley Farias Rodrigues
do Livro Antologias de Poetas Brasileiros Contemporâneos, vol. 37

sábado, 19 de maio de 2007

“De que me valeria saber dançar?”

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Eu também não sei dançar Manuel Bandeira
E já bebi tanta tristeza que viciei nela
Mais meu heterônimo é alegre
E dança, e baila e rodopia na minha imaginação
E se embriaga de risos e bebe tanta alegria
E logo em seguida desaparece
Deixando-me com toda a ressaca da vida
E eu amanheço meio Macunaíma, meio vilão
E descubro-me ardendo em febre
Num mocambo assolado pela fome de palavras
Que nem Mario de Andrade me sacia
E corro no descampado da minha alma
Beirando o abismo do silêncio
Onde enterrou-se em mim toda a poesia
Quando vi Drummond sentado num banco
No meio do caminho
Fingindo que não me ouvia.
Por isso lhe pergunto
De que me valeria saber dançar ?
Se a lira dos meus vinte anos
Já não tem nenhuma harmonia
E se tenho apenas as lembranças de morrer
As mesmas que Álvares de Azevedo tinha
Este, foi poeta, sonhou e amou na vida.
Eu fui poeta dos pesadelos, dos desamores
E o tempo deixou em mim só despedida
Por isso é que a solidão faz do meu coração guarida.
E quando meu heterônimo retorna
E me transformo em poeta outra vez
Ai então o mundo faz sentido
Porque eu me embriago de ilusão

Varley Farias Rodrigues

sábado, 7 de abril de 2007

"Pesadelo"

A cama vazia, outrora vadia, cúmplice,
Agora calada, dizendo nada, nenhum gemido
Os lençóis agasalhando o teu perfume
Misturando os sabores
Os sons do silêncio ecoando nos meus ouvidos
Martirizando-me sem compaixão
E eu, orando as paredes
Que o dia desperte-me desse pesadelo
Mesmo que seja sob a luz de mais uma ilusão


Varley Farias Rodrigues